(bio) JACO LOREDO, 2020 (TEXTO)

Texto elaborado no âmbito de uma colaboração para o novo projecto discográfico, a ser lançado em 2020, do cantor-compositor brasileiro Jaco Loredo 

texto A. Rafael da Silva fotografia Daryan Dornelles 

Jaco é leve. Jaco é um elemento. Jaco confia nos poetas.
A rua adoptou-o para que errasse. E errante foi acertando a biografia no mapa de uma caravana gypsy que se estendeu pelo mundo.
Jaco conhece a folia. Jaco conhece a vertigem. E com a delicadeza de um vagamundo ele apresenta-se como um produto do amor fragmentado. Uma quimera de pressa.
Provavelmente, se lhe perguntarem uma morada, ele irá distrair-vos com este disco, a sua casa, por agora, até partir, outra vez, para outro começo, sem bilhete nem aviso prévio.
Jaco é assim. Um acidente geográfico. Um cata-vento que espalha textos, sons, imagens e perfumes, pelos telhados da Terra.
Ele contou-me que a poesia é onde saltou os muros do que era feito para ele. Eu acredito.
Jaco Loredo é um idílio registado, personagem ímpar, ígnea, artisticamente amadurecida e complexa, cheia de mitos e tangentes. Um somatório da divisão múltipla, numa "ebriedade do diverso", como ele próprio gosta de classificar essa engrenagem.
Ao longo da vida, ora como Thiago de Almeida - o corpo próprio -, ora como Jaco Loredo - o corpo inventado -, tem acoplado à sua fúria poética diferentes manifestações criativas, pessoas, lugares e experiências. Os seus interesses - que vão da Literatura ao Cinema passando, obviamente pela Música mas também pela Filosofia, sua área de formação - estão plasmados na revelação de uma intervenção inteligente, atenta ao mundo e mordaz. Move-o a afloração de uma ética do encontro, da chegada ao outro. 
Neste disco também está o Jaco que conhecemos de projectos como La Macchina Volante, mas a oratória é nova e, em nome e direito próprio, traz reminiscências de um passado mais longínquo.
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EN version:

Jaco is light. Jaco is an element. Jaco trusts poets.
The street adopted him to wander. And wandering he was hitting his biography on the map of a gypsy caravan that spread across the world.
Jaco knows the revelry. Jaco knows vertigo. And with the delicacy of a wanderer he presents himself as a product of fragmented love. A hurrying chimera.
Probably, if you ask him for an address, he will distract you with this record, his home, for now, until he leaves again for another start, without ticket or previous notice.
Jaco is like that. A geographical accident. A weathercock that spreads texts, sounds, images and perfumes, across the roofs of the Earth.
He told me that poetry is where he jumped the walls of what was done for him. I believe.
Jaco Loredo is a registered idyll, a unique, fiery character, artistically mature and complex, full of myths and tangents. A summation of the multiple division, in an "inebriation of the diverse", as he himself likes to classify this gear.
Throughout his life, sometimes as Thiago de Almeida - his own body - other times as Jaco Loredo - the invented body -, he has coupled to his poetic fury different creative manifestations, people, places, and experiences. His interests - ranging from Literature to Cinema, obviously passing through Music, but also Philosophy, his area of formation - are shaped by the revelation of an intelligent, attentive to the world and scathing intervention. The emergence of an ethics of encounter, of arrival at the other, moves him.
This album also contains the Jaco we know from projects like La Macchina Volante, but the oratory is new and, in its own right, brings reminiscences of a more distant past.



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