RILKE

texto + imagem A. Rafael da Silva

Estava eu entre agonias, dessas que em alguns momentos da vida nos vêm visitar, sem aviso prévio, só para nos atropelarem a alma com especial gozo e violência, para nos amarrotarem bem amarrotados e atirarem à cara a insignificância da presunção, quando me lembrei que talvez ainda houvesse na casa matéria para um chuto rápido, suficientemente inebriante e momentaneamente eficaz. Desenrolei o papel à sorte e aproximei os sentidos:

(ler com os olhos, com o nariz, com a boca:)

"Antecipa-te a toda a despedida, como se ela te ficasse
já para trás, como o inverno que está a partir.
Pois entre invernos há um tão sem-fim inverno
que, sobre-hibernando-o, o teu coração sobreviverá. (...)"

E é isto. Rilke a responder-me. Rápido, inebriante, eficaz.
Rilke a apontar-me a linha de fuga de todos os silêncios.

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