O PREGADOR

texto + imagem A. Rafael da Silva































As tuas palavras vêm de longe, muito longe,
de um muito antigamente onde fomos
uma única e mesma raiz entre mundos.


Vêm acordar-me a meio da noite transportando o vento,
o vento de comboios que deslizam silenciosos por entre - MUNDOS -
por entre montanhas brancas que iluminam
a escuridão. 


Assaltam-me o sono assim, disparando-me
atirando-me desavisadamente no ar,
não me amparando a queda que alguém, de dentro,
do comboio poderá adivinhar enquanto olha a noite
e as sombras a passarem no vidro.


Parece que me assaltam só para me alertarem
de que posso muito bem morrer disto (ou da falta disto).



Por que me ensinas tu o sabor do alimento
se me irás deixar morrer de fome?









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