UM BOM LUGAR PARA NASCER

texto + imagem A. Rafael da Silva

A que soaria este sopro se escutado neste preciso instante num qualquer lugar recôndito da Terra? Pergunto-me.
O sopro do dia de hoje leva o som das andorinhas loucas que decidiram ficar, o azul dos zygoptera que invadiram o pequeno rio, a visita em fuga de uma cobra-de-pernas-tridáctila com o ventre cheio de crias procurando o campo de milho. O sopro do dia de hoje também  leva o som da tabla e da cítara, do velho e empoeirado livro das frestas por abrir, do sossego desassossegado, do que não pode ser refeito. Quanto do mundo pode caber no sopro de um dia?


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