DOIS DIAS II

texto + imagem A. Rafael da Silva

com uma mão se afasta
reúne o rosto
o pano do seu vestido já não é fino, nem cinzento
já não se desprende do corpo que lhe deu forma
já não desprende o pó dos móveis que, aliás, já não existem

o cabelo onde antes levava a outra mão ficou negro de repente
trémulo como o chão
e da casa emergiu de olhos muito abertos fitando a estrada recém-aberta

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