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(excerto)
poema Andreia Rafael

E depois é esta sede infinita... Uma vontade incessante de provar o interior do mundo. Reconstruir as mãos depois das cinzas e submergir na manhã de um amanhã inteiro. De tanta sede atirei o meu corpo à água e afoguei-a em mim. Estudei com pasmo a fisionomia do fundo desse mundo. Descobri os gestos de gente ordinária que espera, ama, cai e não compreende. Gente que sabe as lágrimas e faz as serras que subo e desço e me endoideço. E os meus pés devoram descalços o caminho que seguem por vezes sem tocar. O silêncio esvai-se na retina minha em desassossego enquanto os lábios deles se roçam contra as salivas todas que morreram nos seixos cansados, lapidados, que trazem no lugar do coração. Vingança de tantos dias que enganaram pela sede funda de encontrar. 




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