SELECÇÃO | LIVROS DE AUTOR - ENSAIO, 2007
Frida Kahlo foi, e para sempre será, o maior vulto da pintura mexicana do século XX. Viveu na primeira metade do século e escreveu na história da arte feita por mulheres uma página sem precedentes. Sophie Calle é francesa. Gosta de se apresentar como uma “artista narrativa”. A sua obra constitui um dos caminhos mais interessantes e singulares do panorama artístico e literário contemporâneos.] Da Dor Infinita é a (…) forma de dizer da dor de Frida Kahlo e da dor de Sophie Calle e de como essas dores, desencadeadas pela perda amorosa, disseminaram as sementes da criação artística e literária na obra de ambas as artistas escritoras. A viagem surge, neste contexto, concomitantemente como o caminho da fuga e como o caminho do retorno, caminhos esses traçados por meio da experimentação dos diversos estádios inerentes à resolução da “crise” que, no fundo, funciona como mote desencadeador do processo de produção criativa. Com esta dissertação venho colocar em evidência as duas obras que ao longo do último ano conduziram o meu estudo: The Diary of Frida Kahlo (um livro onde a autora registou em texto e imagem, ao longo dos seus últimos 10 anos de vida, as experiências vividas durante esse período, mas também no passado, e as suas reflexões sobre as mesmas) e Douleur Exquise (uma obra elaborada quinze anos após uma experiência amorosa traumática vivida pela autora, que também recorre ao uso da imagem para, em combinação com o texto, descrever os resultados da viagem que esteve na origem dessa experiência). Em evidência estarão ainda, e inevitavelmente, todas as obras que cabem dentro dessas duas, e sobretudo a estreita ligação por elas estabelecida entre Literatura e Arte. […]
