SELECÇÃO | PUBLICAÇÕES EM REVISTA - GRANDE REPORTAGEM























(excerto)
reportagem Andreia Rafael

Pedras Filosofais


Uma espécie de grande orquestra em que cada um, sem excepção, tem na sua vez um espaço para ser o solista. Assim se faz Belgais- um centro para o estudo das artes. Lá onde até as pedras podem ter poesia. Lá onde se acredita que a maior e melhor obra de arte é a vida! 


“Esta pedra tu”. Esta pedra a arte. Toda. Livre dentro de... Esta pedra. Música, poesia, dança. Tu. O nosso mundo. Um rio que começa hoje e se estende para lá do resto. “Esta pedra tu”- disse-me um menino que, como eu, também se chama Rafael, um menino que, como eu, também escolheu uma pedra... 

10 de Novembro de 2001. Já passa um pouco das nove horas e o frio que se faz sentir nesta manhã outonal gelar-me-ia os ossos não fosse o aquecimento do carro ir ligado. Até Castelo Branco são duas horas de viagem. Coimbra vai a pouco e pouco ficando para trás...
E eis que chegamos a Escalos de Baixo. O acesso a Belgais faz-se agora por um caminho de terra batida que obriga o carro a bailar no contorno dos buracos não vá um pneu furar e o objectivo da viagem também. A paisagem é incrível. As serras lá longe parecem azuis, dizem que por causa do granito da zona. Algumas delas têm ainda a saia de nevoeiro vestida. Há um rio e muitas pedras. As oliveiras homenageiam a terra que contrasta com o céu, que daqui parece tão perto de chegar. Luz singular, as cores... este sítio tem música para lá das paredes. Já tinha ouvido falar, mas não podia...Lá está a Quinta.O Manuel Veiga, um dos coordenadores gerais do Centro para o estudo das artes e também um dos responsáveis pelos projectos que envolvam crianças veio receber-nos e fez-nos entrar. A Maria João Pires apareceu logo, com um cesto de verga no braço, um cesto que carrega sempre e lá na casa lhe valeu a alcunha de “Capuchinho”. Abriu um cumprimento franco, inequívoco. Senti uma inquietude tranquila... “Paz e Liberdade são os maiores bens”, Beethoven tinha razão, e aqui eles parecem Existir.
Soou o gongo, o que significa que é hora da refeição. Todos comem à mesma mesa como uma grande família (uma grande orquestra). Fala-se em várias línguas, de várias coisas. Há poetas, músicos, professores, psicólogos, cozinheiras, arrumadeiras, coordenadores, meninos... Uma equipa em que cada um é artista à sua maneira e em que todos se respeitam e aprendem. 

(...)

NA IMPRENSA (selecção):

- Carita, Alexandra (2002, Janeiro). Como se faz a poesia. Pais & Filhos, pp.66-69


- Leiderfarb, Luciana (2002, 26 de Janeiro). Belgais. A nossa Casa. Revista, Jornal Expresso Nº1526, pp.44-52



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